segunda-feira, 16 de maio de 2016

Temores da noite

1

A minha vida é como portas abertas e fechadas,
Um flash do que não foi, ou poderia ser.
Eu sou o incerto frustrado,
O silêncio em uma cena solitária,
O tempo que o fósforo leva até queimar o dedo.

Sou quase nada, com um sotaque carregado,
Desespero de pele grossa,
Tristeza feroz por uma brecha de luz
De salvação.
Eu estou morta, mas não desisti de viver
Eu estou dilacerada, mas ainda pulso por sentir.

No escuro, as pernas sabem para onde ir em caminho conhecido,
Mas eu jamais andei por aqui. 
Eu sou o resto de piedade de quem vos salvo
Ninguém, vestido com roupa de gala e eu sou tão triste que o meu sorriso falso cativa. 

Minhas lágrimas que tão verdadeiras eu não tenho coragem de derramar
Eu tenho vergonha de quem eu sou de quem eu criei
Eu tenho medo de quantas vezes vão cortar os meus fios
Ou se vão descobrir que fui eu quem os cortou. 
Eu sinto tanta vontade e mesmo assim o meu próprio julgar me diz não
Eu e meu corpo somos duas pessoas diferentes.
Eu sinto falta de me possuir.

***

2

Me desculpa se eu menti e você leu em meus olhos a verdade,
Eu gostaria de chorar calada na sua sala de tv
E eu queria que a minha existência fosse assim tão importante quanto a gente finge ser.

Eu queria que a cama fosse só minha e que a obrigação do silêncio fosse violada,
Que os meus olhos não ficassem impossibilitados de ver e que eu não sentisse vergonha de como a minha voz muda quando eu to chorando.
Gostaria que patética não fosse a palavra em minha mente para minha imagem
Que as palavras falassem frases mais modeladas 
Que a minha dor não fosse tão previsível lamento moderno.

Me conta como é ser você para as vezes eu desejar ser parte de sua história 
Pergunta do meu dia e me diz o que fazer.
Porque hoje eu não tenho com quem conversar
Não existe abraço que não seja nos meus próprios braços e
Eu choro como quem chora por perdão

Não ha ninguém por mim
E so ha por mim quem de mim fez ninguem
So existe o que me desfigurou 
E eu vou de mãos dadas com o meu assassino, calorosa recebida de um adeus sem fim.
Me aprofundo no que me rasga, sindrome de Estolcomo

***

3

Quando a gente passa de uma idade de descoberta e passa para uma fase de vivência, eu sinto falta do novo em mim. Eu sinto compulsivamente o desejo de viver um desconhecido bem gostoso, ou calminho fim de tarde. 
Só pela lembrança do sabor que é a empolgação de descobrir
Mas nós esquecemos da tão gritante e performática ausência de jovialidade,
Disposição, disponibilidade. Inocência, confiança, eu sinto falta da esperança 
Do mundo melhor, 
De ser diferente 
De amar.
A minha vida de tanta alegria eu me desgracei em insignificância 
Não existindo correlação corpo espírito eu sinceramente não sou mais eu e eu to com medo
Pra caralho 
Eu me envergonho de mim mesma

Giulia Caroline
Nova Poesia Sul Baiana

7 comentários:

  1. Triste, mas sincero.
    Existem coisas nestes versos que eu mesma já senti. Obrigada por conseguir traduzir sentimentos que eu nunca fui capaz nem mesmo de organizar em pensamentos.
    Você é incrível, menina (:

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  2. Monstra, destruidora. Forte potente, sem piedade , como a vida por olhares

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. experiência muito bacana a de ler um texto que dói, incomoda, e nos faz pensar sobre nós mesmos, e sobre o que temos feito da vida. essa parte três então, foi de dar nó na garganta. obrigada por ter possibilitado essa sensação ao compartilhar suas íntimas palavras tão vivas e potentes.

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